Sexta-feira, Abril 28, 2006

Letônia quer importar tecnologia para biocombustíveis



Fonte: http://www.jornaldepiracicaba.com.br


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25/04/2006 » 23h14

Energia

Letônia quer importar tecnologia para biocombustíveis
Países da UE discutem a independência com relação aos biocombustíveis e já montam programas de incentivo
Com o objetivo de importar tecnologia e produção de biocombustíveis brasileiros ––etanol e biodiesel –– para toda a UE (União Européia), Piracicaba recebeu ontem a visita da comitiva de biodiesel da Letônia. O grupo passou pela Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz), Dedini Indústria de Base e Grupo Cosan. Entre os 12 integrantes, estavam representantes do ministério da agricultura, usineiros ligados à cooperativas e agricultura ecológica daquele país. Os letonianos também vieram conhecer o uso dos resíduos da produção do biodiesel para alimentação animal, outra técnica altamente difundida no Brasil e desconhecida pelos estudiosos daquela região..
Segundo o presidente da Associação Letoniana de Produtores e Comerciantes de Biocombustíveis, Jevgenijs Kisiels, o ministro de Agricultura da Letônia é o presidente da Comissão dos Sistemas de Bioenergia da UE, Andris Piebaldis, o que destaca a importância e o peso daquele país nos assuntos ligados aos biocombustíveis.
Segundo Kisiels, todos os países do conglomerado estão discutindo a independência da UE com relação aos biocombustíveis, tanto que há esforços para montar um programa de incentivos e estruturação a fim de atingir tal meta.
A Letônia não poderia ficar de fora. Segundo o assessor do ministério, Udo Persis, há 15 anos, o seu país era um dos principais fornecedores e produtores de biocombustíveis. “E, agora que nós estamos na UE, o objetivo é continuar nesta mesma posição.”
Dentro do antigo território da URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas), a Letônia foi o primeiro país a construir uma usina de biodiesel. Agora, depois de 50 anos de dominação da União Soviética, já existe lei sobre adição de biodiesel e há um programa de biocombustíveis em andamento.
“Existe um programa de incentivo do governo para os agricultores e para as indústrias empreendedoras com o objetivo de produzir os biocombustíveis, que também visa estacar o êxodo rural. Também existe um programa da UE para biocombustíveis que estipulou a entrada de 2% de biocombustíveis na gasolina e, até 2010, 5%, seja o etanol ou biodiesel”, diz Kisiels.
Além de conseguir atingir a auto-suficiência, os letonianos também estão tentado resolver problemas com relação ao aproveitamento da torta (resíduos da produção do biodiesel). O diretor e proprietário de usina de biodiesel Mezrozite, que também é produtor rural, Dainis Lagzdins, se disse interessado no processamento e no uso dos resíduos da canola (semente mais utilizada para extração de óleo na Letônia).
O resíduo faz com que a torta de lá seja muito rica em proteínas, pois a canola resulta em um dos óleos mais nobres. Lagzdins conta que no processo realizado por eles, um terço torna-se combustível e dois terços geram a torta.
Para solucionar esta grande gama de enfrentamentos, a delegação letoniana, que passou por Piracicaba, percorre o Brasil e a Argentina até 2 de maio. Kisiels, da associação de produtores e comerciantes, afirma que um acordo entre seu país, o Brasil e a UE deva sair por meio do Mercosul (Mercado Comum do Sul).
Kisiels afirma ainda que, no âmbito nacional, quando o acordo for vigorar para a compra de combustível ou maquinário, a Letônia quer estar preparada para comprar a tecnologia existente e comercializá-la na UE.
Na Esalq, a delegação foi recebida pelo vice-diretor da universidade, Raul Machado, e pela consultora do Pólo Nacional de Biocombustíveis, Thereza Christina Pippa Rochelle.